Banco da Inglaterra questiona o impacto da IA na produtividade: bilhões em investimentos ainda não entregaram os resultados prometidos

Apesar dos investimentos bilionários em inteligência artificial, empresas ainda não conseguiram transformar a tecnologia em ganhos expressivos de produtividade.

Uma análise publicada pelo The Register, com base no mais recente Relatório de Política Monetária do Banco da Inglaterra, aponta uma diferença importante entre as expectativas criadas pela indústria de inteligência artificial e os resultados que as empresas estão realmente alcançando.

Nos últimos três anos, a IA teria contribuído com aproximadamente 0,5% de aumento na produtividade do Reino Unido. Desde o início de 2024, isso representa um crescimento adicional anual de apenas 0,1 a 0,2 ponto percentual.

Os números estão bem distantes da revolução econômica prometida pelas grandes empresas de tecnologia.
Investir em IA não significa necessariamente produzir mais
Mesmo setores que utilizam inteligência artificial intensivamente, como informação e comunicação, ainda não conseguiram superar os níveis de produtividade registrados antes da pandemia.

O Banco da Inglaterra estima que atividades relacionadas à IA tenham representado quase um quinto do crescimento do PIB britânico desde o início de 2026.

Entretanto, existe um detalhe importante: boa parte desse crescimento vem das empresas que desenvolvem, comercializam e implementam soluções de inteligência artificial, e não necessariamente das organizações que utilizam essas ferramentas para melhorar seus próprios resultados.

Em outras palavras, o mercado de IA está movimentando muito dinheiro, mas isso não significa que seus clientes estejam obtendo o retorno esperado.
Empresas gastam mais, mas os resultados continuam abaixo das expectativas
Outras pesquisas reforçam essa preocupação.

Um levantamento da Gartner revelou que, embora aproximadamente 75% dos conselhos administrativos esperassem que a IA aumentasse a produtividade e reduzisse custos, apenas 3% das organizações conseguiram atingir essas metas.

Ao mesmo tempo:
– 38% das organizações ultrapassaram o orçamento previsto para IA.
– 85% pretendem aumentar os investimentos na tecnologia no próximo ano.
Outro estudo, envolvendo quase 6 mil executivos, apontou que mais de 80% das empresas ainda não perceberam impactos significativos da inteligência artificial na produtividade ou no emprego.

Isso levanta uma questão: até que ponto os investimentos atuais estão sendo sustentados por resultados concretos e até que ponto estão sendo impulsionados pela expectativa de ganhos futuros?
A IA já está provocando efeitos na economia, mas não necessariamente os esperados
O Banco da Inglaterra também chama atenção para outro efeito do crescimento da inteligência artificial: o aumento dos custos de determinados componentes tecnológicos.

A demanda crescente por produtos relacionados à IA, especialmente chips de memória, pressionou os preços de exportação na China e em outras economias asiáticas, elevando os custos de importação para o Reino Unido.

Além disso, o Fundo Monetário Internacional e o Banco de Compensações Internacionais já demonstraram preocupação com a possibilidade de os investimentos bilionários em infraestrutura de IA não gerarem os retornos financeiros esperados.

O cenário apresenta semelhanças com o boom da internet nos anos 1990, quando grandes investimentos foram realizados com base em expectativas de crescimento que nem sempre se concretizaram.
O que esperar dos próximos anos?
Apesar das ressalvas, o Banco da Inglaterra não descarta o potencial da inteligência artificial.

As empresas consultadas esperam que a tecnologia acrescente aproximadamente 0,9 ponto percentual ao crescimento anual da produtividade nos próximos três anos.

A expectativa é que esses ganhos venham tanto do aumento da produção quanto da redução da necessidade de mão de obra.

Por enquanto, porém, a grande questão permanece: a inteligência artificial está realmente tornando as empresas mais produtivas ou estamos diante de um mercado que investe bilhões na promessa de uma transformação que ainda não chegou?

Fontes originais para consultar
– Banco da Inglaterra — Relatório de Política Monetária de novembro de 2026.
– Gartner — Pesquisa sobre produtividade e custos com IA.
– Stanford — Estudo com quase 6 mil executivos.
– The Register — Matéria original de Carly Page.